Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China testaram cinco chatbots em inglês, mandarim e, no caso do Le Chat, em francês. O objetivo era descobrir se o idioma influencia as pontuações em um teste de personalidade conhecido como Big Five Inventory‑2. Os resultados foram claros: mudar a língua altera significativamente as notas de abertura, extroversão, amabilidade, responsabilidade e negatividade.
Por que o idioma importa?
Os modelos de linguagem são treinados com enormes volumes de texto extraídos da internet. Cada idioma tem seu próprio conjunto de textos, gírias, referências culturais e estilos de comunicação. Quando a IA responde em inglês, ela usa padrões aprendidos de fontes predominantemente ocidentais; ao mudar para mandarim, o mesmo modelo acessa padrões de textos chineses. Essa troca de contexto altera a forma como a IA interpreta perguntas sobre sentimentos ou atitudes.
Para quem tem um site ou um e‑commerce, isso significa que a mesma ferramenta pode gerar descrições de produtos mais “curiosas” em mandarim e mais “pragmáticas” em inglês, influenciando a percepção do cliente.
Como foi o experimento
Os pesquisadores selecionaram cinco chatbots: ChatGPT‑4o, Gemini 2.0 Flash, DeepSeek‑V3, Ernie 3.5 e Le Chat. Cada um recebeu 60 perguntas do Big Five Inventory‑2, respondendo como se fosse ele mesmo, sem imitar outra personalidade. As respostas foram coletadas 30 vezes em cada idioma entre janeiro e março de 2025, garantindo consistência.
Os dados foram comparados com resultados de testes humanos feitos nos mesmos países das IAs, permitindo observar diferenças culturais além das linguísticas.
Principais diferenças encontradas
O ChatGPT‑4o, por exemplo, marcou 4,74 em abertura mental ao responder em inglês, mas caiu para 4,03 em mandarim. Já o DeepSeek‑V3 mostrou o inverso: 4,81 em mandarim e 4,38 em inglês. O Gemini 2.0 Flash destacou‑se por ter menor negatividade quando falava mandarim, indicando que o modelo pode estar mais otimista nas respostas em chinês.
Essas variações não são apenas números; elas refletem como a IA pode adaptar seu tom. Um site que usa ChatGPT‑4o para gerar artigos em português (baseado em treinamento maior em inglês) pode produzir textos mais abertos a novas ideias, enquanto ao usar a mesma IA em mandarim poderia gerar conteúdo mais conservador.
Impacto para negócios digitais no Brasil
Se o seu público-alvo fala português, mas você também atende clientes em inglês ou espanhol, é essencial testar a IA em cada idioma. Um chatbot de suporte que parece mais amigável em inglês pode parecer menos empático em português, afetando a taxa de resolução de dúvidas.
Além disso, a escolha do idioma pode influenciar o SEO. Conteúdos gerados em inglês com alta abertura mental tendem a usar palavras mais criativas, o que pode melhorar o engajamento em blogs internacionais, mas pode não ser ideal para buscas locais.
Como adaptar a estratégia de conteúdo
- Teste A/B por idioma: publique duas versões de um mesmo texto, uma em português e outra em inglês, e compare métricas como tempo de permanência e taxa de cliques.
- Customize prompts: ao solicitar um artigo da IA, inclua instruções específicas sobre o tom desejado (ex.: “use um tom mais conservador” para mandarim).
- Monitore a personalidade: use ferramentas de análise de sentimento para verificar se o texto está alinhado ao perfil de marca em cada idioma.
Exemplo prático: descrição de produto
Imagine que você venda um smartwatch. Usando ChatGPT‑4o em inglês, a descrição pode ficar assim: “A sleek device that pushes the boundaries of health tracking, encouraging you to explore new fitness horizons.” Em português, a mesma IA pode gerar: “Um dispositivo elegante que acompanha sua saúde, ajudando você a alcançar metas diárias.” Note a diferença de “explorar novos horizontes” (alto grau de abertura) versus “alcançar metas diárias” (mais focado e responsável). Escolher a versão que melhor se encaixa no seu público pode aumentar a taxa de conversão.
Limitações do uso de IAs em pesquisas
Os autores alertam que substituir participantes humanos por IAs pode gerar vieses culturais. Enquanto as IAs reproduzem padrões de texto, elas não possuem vivências reais. Portanto, em estudos de comportamento do consumidor, confiar apenas em respostas de chatbots pode distorcer os resultados.
Para empresas que utilizam pesquisas automatizadas, é recomendável combinar respostas de IA com amostras reais de usuários para validar insights.
O futuro dos testes de personalidade em IA
À medida que os modelos se tornam multilíngues, espera‑se que a diferença entre idiomas diminua, mas ainda haverá influência de bases de dados regionais. Desenvolvedores podem criar filtros que ajustem a “personalidade” da IA conforme o idioma, garantindo consistência de marca.
Enquanto isso, profissionais de marketing precisam estar atentos a essas nuances e adaptar suas estratégias de conteúdo, SEO e atendimento ao cliente.

Conclusão
O estudo demonstra que o idioma é um fator decisivo na forma como IAs respondem a testes de personalidade. Para quem cria sites, blogs ou lojas virtuais, entender essa variação permite usar a IA de maneira mais estratégica, alinhando tom, estilo e persuasão ao público de cada região.
Fontes consultadas
- ChatGPT e outras IAs mudam resultados de testes de personalidade conforme o idioma — Inteligência Artificial – Olhar Digital
Conteúdo produzido a partir da fonte citada acima e reescrito em linguagem acessível. As imagens são ilustrativas e geradas por inteligência artificial.


